O Dr. Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, integra a avaliação da saúde ocular ao seu olhar clínico sobre a funcionalidade do idoso. Afinal, a visão é um dos sentidos que mais influencia a capacidade do idoso de viver com independência, mas raramente ocupa o espaço que merece nas avaliações geriátricas de rotina. Na prática, quedas, acidentes domésticos, erros na administração de medicamentos e isolamento social têm relação direta com a qualidade da visão, e grande parte das condições que comprometem esse sentido na terceira idade é tratável quando identificada a tempo.
Neste artigo, você vai entender como a visão afeta a saúde integral do idoso e por que cuidar dos olhos é cuidar da autonomia. Acompanhe.
Como o envelhecimento afeta a visão e quais condições são mais comuns?
O cristalino, estrutura responsável por focar a luz no olho, perde flexibilidade progressivamente com o envelhecimento, resultando na presbiopia, dificuldade para enxergar de perto que afeta praticamente todos os adultos a partir dos quarenta anos. Mas as condições mais preocupantes na terceira idade vão além da necessidade de óculos de leitura. Isso porque a catarata, glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética são as principais responsáveis pela perda visual significativa no idoso, e todas têm em comum um dado relevante: quando diagnosticadas precocemente, permitem intervenções que preservam a função visual de forma expressiva.
Yuri Silva Portela elucida que a catarata merece atenção especial porque é ao mesmo tempo a causa mais comum de cegueira reversível no mundo e uma das cirurgias com maior relação custo-benefício disponíveis na medicina. Em vista disso, um idoso que enxerga mal por catarata não tratada vive num mundo desfocado que aumenta seu risco de quedas, compromete sua capacidade de ler, dirigir e reconhecer rostos, e contribui para um isolamento progressivo que afeta sua saúde mental de formas que vão muito além da visão.
O glaucoma, por sua vez, é especialmente traiçoeiro porque a perda visual que provoca começa pela periferia do campo visual, área que o próprio paciente raramente percebe até que o dano já esteja avançado. Dessa forma, rastrear o glaucoma em idosos com fatores de risco, como histórico familiar e pressão intraocular elevada, é uma medida preventiva simples que evita danos irreversíveis ao nervo óptico.
Qual é o impacto da visão comprometida sobre a segurança do idoso?
A conexão entre visão e quedas é uma das mais bem documentadas na literatura geriátrica. Até porque o idoso que enxerga mal tem dificuldade para detectar obstáculos, para avaliar distâncias e para ajustar sua postura em superfícies irregulares. Diante disso, esse comprometimento aumenta o risco de quedas de forma mensurável e explica por que a avaliação oftalmológica faz parte dos protocolos de prevenção de quedas em serviços geriátricos bem estruturados.

Sob a visão do doutor Yuri Silva Portela, há também um impacto sobre a segurança medicamentosa que raramente é discutido. Pois, na prática, o idoso que não enxerga bem os rótulos dos medicamentos confunde embalagens, lê doses de forma incorreta e comete erros que têm consequências clínicas sérias. Portanto, garantir que ele tenha óculos adequados e que as embalagens dos seus medicamentos sejam identificadas de forma acessível é uma intervenção de segurança que qualquer família pode implementar imediatamente.
Como o Humaniza Sertão aborda a saúde ocular nas comunidades?
Nas comunidades do sertão de Quixadá atendidas pelo Humaniza Sertão, o acesso à avaliação oftalmológica é extremamente limitado. Muitos idosos convivem com redução visual significativa que nunca foi investigada ou tratada adequadamente. Durante as ações mensais do projeto, a triagem para condições visuais básicas é realizada como parte da avaliação geral de funcionalidade, identificando casos que necessitam de encaminhamento para serviços especializados.
Conforme destaca o fundador do projeto social Humaniza Sertão, doutor Yuri Silva Portela, orientar as famílias sobre a importância do acompanhamento oftalmológico regular é uma das ações educativas do projeto com impacto imediato sobre a segurança dos idosos atendidos. Muitas famílias desconhecem que grande parte da perda visual do familiar é tratável e que adiar o cuidado tem custo real sobre sua autonomia e sua qualidade de vida.
Cuidar dos olhos do idoso é preservar seu mundo
O doutor Yuri Silva Portela acredita que a saúde ocular merece o mesmo espaço que outras dimensões do cuidado geriátrico. Verifique quando o idoso que você ama fez sua última avaliação oftalmológica. Esse gesto simples pode preservar uma autonomia que nenhum outro cuidado consegue restituir depois de perdida.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
