Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira atua como especialista em tecnologia e infraestrutura digital e está inserido em um debate que cresce a cada ano entre líderes de tecnologia e executivos de negócio: por que tantas iniciativas de transformação digital entregam resultados aquém do esperado? O investimento acontece, as ferramentas são implementadas, os projetos são anunciados. E, no fim, a operação continua funcionando quase da mesma forma que antes. O problema raramente está na tecnologia. Está na forma como a transformação é conduzida.
A expressão “transformação digital” tornou-se tão ampla que perdeu a precisão. Ela pode significar migrar para a nuvem, automatizar processos, adotar analytics avançado ou reinventar completamente o modelo de negócio com base em dados. Cada uma dessas iniciativas tem requisitos, riscos e horizontes de resultado completamente diferentes. Tratar todas como equivalentes é um dos primeiros erros que comprometem o sucesso dos projetos.
O que separa a transformação digital real da cosmética?
A transformação digital cosmética é fácil de identificar em retrospecto, mas difícil de perceber enquanto acontece. Ela se caracteriza por uma série de sinais: adoção de ferramentas modernas sem mudança nos processos que as cercam, digitalização de formulários em papel sem repensar o fluxo de trabalho subjacente, implementação de dashboards que ninguém consulta porque as decisões continuam sendo tomadas da mesma forma que antes.
A transformação real, por outro lado, implica mudança de comportamento. Significa que as pessoas trabalham de forma diferente, que as decisões são tomadas com base em dados que antes não existiam ou não eram acessíveis, e que a organização consegue fazer coisas que simplesmente não eram possíveis antes. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, com experiência em projetos de modernização tecnológica, está familiarizado com a diferença prática entre esses dois cenários e com o custo de confundir um com o outro.
Por que a resistência interna derruba mais projetos do que a tecnologia?
Levantamentos recentes sobre fracassos em projetos de transformação digital apontam consistentemente para o mesmo fator como principal causa de insucesso: resistência à mudança nas equipes. Não a resistência declarada, que é fácil de identificar e endereçar, mas a resistência passiva, que se manifesta como adoção superficial, retorno gradual aos processos antigos e falta de engajamento real com as novas ferramentas.

Essa resistência tem causas legítimas. Mudanças tecnológicas frequentemente ameaçam rotinas estabelecidas, exigem aprendizado em um ritmo que nem todos conseguem acompanhar e geram incerteza sobre papéis e responsabilidades. Ignorar essas causas e tratar a mudança como puramente técnica é o que transforma projetos bem financiados em implementações que morrem lentamente após o lançamento. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira atua em um campo em que essa dimensão humana da transformação tecnológica é tão relevante quanto a dimensão técnica.
Modernização de sistemas legados: o nó que trava a transformação
Um dos maiores obstáculos práticos à transformação digital em empresas estabelecidas é a existência de sistemas legados que concentram processos críticos do negócio. Esses sistemas frequentemente não possuem APIs modernas, foram construídos com tecnologias que ninguém mais domina internamente e acumularam décadas de lógica de negócio que não está documentada em lugar nenhum além do próprio código.
Substituir esses sistemas é caro, arriscado e demorado. Mantê-los intactos enquanto se constrói ao redor deles cria uma arquitetura fragmentada que limita o que é possível alcançar. Não existe solução simples para esse problema, mas existem abordagens que funcionam melhor do que outras. A estratégia de strangler fig, que substitui gradualmente funcionalidades do sistema legado por componentes modernos sem uma migração big bang, é uma das mais utilizadas por times experientes que lidam com esse desafio. O especialista em tecnologia e infraestrutura digital Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira está entre os profissionais que navegam por esse tipo de complexidade no cotidiano de projetos de modernização.
Dados como infraestrutura: a base que a maioria das empresas ainda não construiu
Nenhuma transformação digital chega ao seu potencial sem uma infraestrutura de dados sólida. E essa é exatamente a lacuna que mais limita o progresso das organizações que investem em ferramentas modernas, mas não investiram na base que sustenta o uso efetivo dessas ferramentas. Dados fragmentados em silos departamentais, sem governança, sem qualidade garantida e sem acessibilidade para quem precisa tomar decisões, tornam qualquer iniciativa de analytics, automação ou inteligência artificial muito mais difícil e muito menos eficaz.
A construção dessa base é trabalho de fundo, sem visibilidade imediata e sem o apelo de um lançamento de produto. Mas é o que separa organizações que realmente se transformam das que acumulam ferramentas sofisticadas sobre processos que continuam funcionando como sempre funcionaram. Para Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, investir nessa camada de dados é tão estratégico quanto qualquer outra decisão de infraestrutura.
Transformação digital é um processo, não um projeto
O enquadramento da transformação digital como projeto com início, meio e fim é talvez o equívoco mais fundamental que as organizações cometem. Projetos terminam. A transformação digital, quando bem conduzida, não termina porque o ambiente tecnológico e os requisitos de negócio continuam evoluindo. As organizações que estão colhendo resultados reais são as que internalizaram essa lógica e construíram capacidades internas de adaptação contínua, em vez de depender de grandes iniciativas pontuais para se manterem relevantes.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
